23.2 V - A EVOLUÇÃO DOS PADRÕES DE BELEZA.
Para tanto, faz-se necessário o desenvolvimento dos conteúdos sobre corpo, beleza e saúde bem como cálculo do IMC, sondagem sobre os tipos de dietas e a importância de uma alimentação saudável dos alunos. Dentro desse contexto, na disciplina de Língua Portuguesa, será também, desenvolvido os conteúdos sobre diversos gêneros textuais (textos didáticos, jornalísticos, filmes, música, anúncios publicitários, revistas, entre outros), a história dos padrões de beleza para a elaboração de campanhas publicitárias e textos expositivos.
Historicamente, é possível observar que a beleza sempre foi ditada pelos olhos e palavras advindas de uma figura masculina e que desde a Pré-História, as mulheres tentam se encaixar em um padrão estético, o que muda é realmente como essa estética é composta.
Para Naomi Wolf:
A ‘beleza’ é um
sistema monetário semelhante ao padrão ouro. Como qualquer sistema, ele é
determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no
último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino. Ao
atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de acordo com um padrão
físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais
as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os
homens se apropriaram (WOLF, 2018, p.15)
Na Pré-História, quando o homem
começou a conviver em grupo já foi possível notar um padrão se formando, nessa
época o instinto de sobrevivência moldava a sociedade, portanto a principal
atividade dos homens eram prover seu grupo e embora não fosse a única tarefa a
serem realizadas pelas mulheres, uma parte importante é que elas deveriam ser
férteis. Uma mulher gorda era associada a uma mulher extremamente fértil e que
tinha condições de alimentação ótimas, já que naquela época a escassez de comida
era um problema. Ou seja, é possível que as mulheres da época já se sentiam
pressionadas, visto que só iam ser relevantes para a sociedade se fossem
abastadas e consequentemente gordas e férteis.
Na Idade Média, pela forte
influência da religião, o corpo deixou de ser algo que merecia relevância e que
necessitava de cuidados, para essa época, o corpo era algo profano que não
poderia ser mostrado, falado ou até mesmo pensado. Nessa época, as mulheres
tinham um modelo bem claro a ser seguido: a Virgem Maria, uma mulher na qual
foi abençoada por uma gravidez mesmo sendo virgem, pelo fato de ser
extremamente devota a Deus. Sendo assim, não enxergavam nenhuma importância em
se exibir o corpo, afinal, Deus não se preocupava com o externo e sim com o
interno, considerava-se que a beleza feminina advinha da obediência e devoção a
Deus e a Igreja, assim como foi a Virgem Maria.
No período Renascentista, voltamos para a “cultura” cultivada na
Pré-História, o corpo voltou a ser mostrado, pinturas da época mostram de forma
sedutora os corpos femininos, mostrando suas curvas e cabelos longos.
Assim como na antiguidade o corpo avantajado estava ligado ao ideal de
riqueza e status, as mulheres mais gordinhas eram consideradas belas e também
tinham esse fator diretamente ligado à propensão de ter mais filhos, um ideal
onde o homem ficava “feliz” com sua mulher fértil.
Esses foram alguns padrões estabelecidos por épocas que marcaram a
história, o que podemos ver é que o padrão estético sempre esteve relacionado
com o que era importante na época, por exemplo: na Pré-História a escassez de
comida, na Idade Média a religião. Com a revolução industrial, o capitalismo e
é claro o avanço tecnológico a beleza foi evoluindo, mas não podemos afirmar
que para melhor, por mais que não seja algo diretamente falado e exposto, o
padrão estético é sempre algo que precisa ser seguido à risca, nem mais, nem
menos. No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, a era das supermodelos
começou, o padrão se tornou cada vez mais inalcançável, já que a magreza se
tornou um dos pontos chave para que uma mulher se tornasse bonita, com isso a
comercialização da beleza se tornou ainda mais forte, o foco em ser magra e
consequentemente bonita estava presente na vida de milhares de mulheres.
Na contemporaneidade, vemos bem a
beleza como um produto da indústria midiática, e sabemos que ele é altamente
lucrativo, quando acessamos nossas redes sociais, podemos enxergar os avanços
que Naomi Wolf aponta em “O mito da beleza”, conseguimos ver a pluralidade em
corpos, cores, cabelos, nacionalidades em propagandas de produtos voltados ao
público feminino.
Com o avanço da tecnologia e o
surgimento das redes sociais, podemos perceber a existência de uma outra face
que se fortalece cada vez mais, a profissão de influenciador digital tem
garantido um papel cada vez mais importante dentro da sociedade, o grande “x”
da questão é como eles tratam de determinados assuntos como: padrão, estética e
beleza, e como isso impacta a vida dos consumidores.
Um padrão é o uso de filtros
fotográficos recorrentes no Instagram que mudam totalmente a realidade, com
esses filtros os influenciadores realizam suas propagandas de produtos de
beleza deturpando totalmente a realidade. Em adição a isso temos também fotos
exageradamente editadas, clínicas de cirurgia plástica realizando permutas com
blogueiras de alto nível, com mais de 5 milhões de seguidores, ou seja, nesses
seguidores podem existir meninas com transtornos alimentares e de imagem que
podem se sentir coagidas a fazerem o mesmo.
Esse tipo de beleza “tóxica” vendida pela indústria tem seu objetivo
concretizado quando existem mulheres e adolescentes se culpando e penalizando
seus próprios corpos, cabelos, peles por não chegarem a esse ideal estético
proposto, e com isso acabam buscando alternativas em produtos, seja em um novo
creme para rugas, uma nova bebida emagrecedora ou até mesmo em uma roupa da
moda que nem sempre vão atender as expectativas.
Uma economia que depende da escravidão precisa promover
imagens de pessoas escravizadas que “justifiquem” a instituição da escravidão.
As economias ocidentais são agora inteiramente dependentes da continuidade dos
baixos salários pagos às mulheres. Uma ideologia que fizesse com que
sentíssemos que temos menos valor tornou-se urgente e necessária para se
contrapor à forma pela qual o feminismo começava a fazer com que nos
valorizássemos mais.” (WOLF, 2018, p. 34)
Correlacionado o passado com o presente, Naomi
Wolf (2018, p. 24) diz que no que se diz respeito a aparência é realmente
possível que nós nos sentimos e estamos em uma situação bem pior que nossas
avós não liberadas.
Todas as gerações
desde cerca de 1830 tiveram de enfrentar sua versão do mito da beleza.
“Significa muito pouco para mim”, disse a sufragista Lucy Stone em 1855, “ter o
direito ao voto, a possuir propriedades etc, se eu não puder ter o pleno
direito sobre o meu corpo e seus usos.” Oitenta anos mais tarde, depois que as
mulheres conquistaram o direito ao voto e que a primeira onda do movimento
feminino organizado se acalmara, Virginia Woolf escreveu que ainda se passariam
décadas até as mulheres poderem contar a verdade sobre seu corpo.” (WOLF, 2018,
p. 26)
Por fim, pode-se dizer que a
beleza é uma vitória e ao mesmo tempo uma derrota, Segundo Denise Sant'Anna
(2014, p. 9) “A beleza é um trunfo de quem a possui, um objetivo dos que não se
consideram belos, um instrumento de poder, uma moeda de troca em diferentes
sociedades.”
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| Palestra com a psicóloga Maria da Conceição, ex-aluna do CETAR. |
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| A aluna Aline Carvalho foi a mestra de cerimônias. |


















































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